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> Misericórdia
Golem no Seol
post Jan 18 2010, 09:53 PM
Post #1


Barraqueiro
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Bem, tendo em vista que a história da minha ficha está beem superficial '-' eu já pensava em escrever algo com uma fic para aprofundar um pouco mais e como tive um surto de criatividade, escrevi o primeiro capítulo. A intenção é escrever o segundo, o terceiro e assim por diante até chegar ao fim. '-' espero que consiga, enfim, o primeiro capítulo:

Capítulo 1 – Ensinamentos das velhas gerações.

Setembro de 2185

........O carro parou em frente da velha mansão de seu avô. Era a primeira vez que ele ia lá. Todas as vezes que viu o avô era ele quem ia visitá-lo e ainda assim só durante um dia ou dois, quando seus pais estavam também de folga. Seu avô era legal. Sempre havia gostado dele. Às vezes chorava por vê-lo tão pouco, geralmente quando ele ia embora depois de uma visita mais demorada. Era por isso que naquele dia ele estava feliz, apesar da sua tia doente.
........- Espere um momento, Seol. – Seu pai desceu do carro e também sua mãe. Seu avô esperava no meio do pequeno caminho de pedra que havia no meio do gramado, que levava até a porta da casa. O garoto ficou olhando pela janela fechada enquanto seus pais caminhavam até lá.

........- Evelyn. – O velho abraçou sua filha. Fazia alguns meses que eles não se viam. – Você está tão bonita. – Bem sabia ela que ele não costumava mentir.
........- Obrigada, pai.
........- Evelyn, fale logo.
........- Ele já sabe, Adam, não precisa dizer novamente. Papai bem sabe que ele não deve falar nada com Seol sobre a Cabala.
........- Não, ele não sabe. Quantas vezes já o pegamos tentando falar algo? Hein? – Adam nunca foi o homem mais gentil do mundo. Virou-se então para o velho, que mal levantava os olhos. - Escute aqui, não quero você falando nada sobre suas magias e loucuras. Entendeu?
........Se o velho Alon tivesse levantado os olhos poderia sentir a intensidade de ódio que havia no olhar de Adam. Mas ele não o fez. De cabeça baixa respondeu àquele homem que desde o dia que se casou com sua filha, deixou de ser gentil e polido para com ele, tratando-o como um bicho, nas melhores das ocasiões. Isso se devia exclusivamente ao fato dele ser seguidor daquela vertente mística do Judaísmo. Puro preconceito.
........- Eu não irei falar nada. – A última palavra foi quase vociferada.
........- Acho bom.

........Do carro só pode ver seu pai e sua mãe voltando. Sua mãe não olhou para ele, apenas entrando no carro e sentando no banco do passageiro. Seu pai foi que abriu a porta detrás e avisou-o que já poderia ir. Mas quando ele ia saindo, pronto para correr até os braços de seu avô, seu pai o pegou pelo braço.
........- Seol, me escute. Seu avô às vezes fala coisas sem sentido e bobagens. Não escute as coisas que ele falar sobre o Judaísmo, ok? Somente as coisas que o rabino fala é que estão certas, você entendeu?
........Seol não entendia porque vez por outra seu pai ficava sério e inquisitivo. Ele tinha medo quando isso acontecia. Quase sempre começava a chorar. Seus olhos começavam a marejar quando o pai mandou-o engolir o choro e outra vez perguntou se ele havia entendido. Balançou a cabeça positivamente. Seu pai concluiu com um ‘muito bem’. Ele soltou seu braço e foi abrir o porta-malas para buscar sua bagagem. Enquanto isso, Seol corria para falar com o avô, já quase secando as lágrimas que por pouco não saltaram de seus olhos. Seu pai chegava aonde ele estava com o avô alguns minutos depois. O garoto pôde ver o olhar que seu pai sustentava quando entregou a mala nas mãos do avô. Ele nunca entendera porque eles dois tinham aquela rivalidade. Seu avô pegou a mala e silenciosamente eles seguiram o resto do caminho de pedra que levava até a porta da mansão. Apenas o barulho do carro se afastando era o que havia enquanto eles caminhavam.
........A mansão era realmente uma mansão. Não era apenas uma denominação para uma casa grande. Por fora lembrava a arquitetura de um castelo, muito embora estivesse longe de ser um. Foi desejo de Alon que a casa fosse feita assim. Sempre havia adorado os castelos medievais e já que seu dinheiro permitia que pudesse fazer aquilo, não teve dúvidas. Seol estava deslumbrado com aquilo. Como já foi dito era a primeira vez que ele ia à casa do avô. Embora ele já tivesse ouvido o avô descrever a casa várias vezes, com suas várias salas, corredores e bibliotecas, a descrição não fazia jus ao que a casa realmente era. Seus dois andares finamente trabalhados tinham uma presença pomposa naquela rua, cujas casas, apesar de pequenas e simples diante daquela outra, eram realmente encantadoras. Por dentro a casa era tão bela quando por fora. Alon era um velho comerciante que havia aprendido a ganhar a vida cedo. Encantado, Seol prometeu conhecer cada cômodo da casa, e assim o fez, gastando todo o resto da tarde passeando nos corredores e quartos.

........- Seol? Venha jantar, está posto na mesa. – Chamava o neto enquanto sentava-se na cabeceira da grande mesa, que embora pudesse dar lugar a pelo menos dez pessoas, geralmente só estava ocupada pelo velho comerciante. Era uma alegria saber que outra cadeira ali seria ocupada naquela noite. Ainda mais quando o alguém que ali sentaria era seu neto tão estimado. Logo ele chegou. Ofegante e risonho. – Fez alguma das suas, né? Senta e come, você não comeu nada desde que chegou. – Ele sentou-se rindo e sem nada dizer começou a comer a sopa que estava servida.
........O fim da ceia foi rápido e silencioso. Seol terminou sua sopa e saiu, saltitante pela casa. Alon ainda ficou algum tempo sentado a mesa. Tomava seu prato de sopa devagar, sem pressa alguma. Na realidade ele ponderava seriamente sobre um assunto vital para ele. Ali estava seu neto. E com ele todo o conhecimento da Cabala que ele aprendera durante toda a vida de pesquisa devotada. E entre esse dois pontos havia o juramento que havia feito ao pai do menino e, claro, à sua própria filha. Aquela não era uma decisão que poderia ser tomada facilmente. Por uma longa hora ele quedou-se ali, tomando devagar sua sopa já fria, com os olhos fixados no nada, apenas sua mente maquinando o certo e o errado. Quando o prato ficou vazio, a decisão já estava tomada. Ergueu-se, sem pressa, da mesa e levou seu prato até a cozinha. Estava prestes a trair a confiança de sua filha.

........Quando encontrou Seol ele estava vendo TV na sala de estar. Estava esparramado sobre o sofá maior, assistindo à um filme. Na realidade seus olhos quase fechavam de sono e não tardou que um bocejo fosse mostrado em seu rosto. Seu avô chegou de leve. Sentou-se na poltrona que ficava do lado do sofá. Por alguns minutos ficou vendo o filme, como se nada mais houvesse a se fazer. Fez assim até que houve um intervalo. Foi quando virou-se para o neto, que já havia cochilado ali.
........- Seol? Seol? Está dormindo?
........- Não, vovô... – Era mentira. Mas com o chamado do avô ele abriu levemente os olhos, quase fechando-os novamente devido ao peso de suas pálpebras.
........- Eu tenho uma coisa para te mostrar. Vem comigo.
........Com alguma dificuldade o garoto se pôs de pé, coçando os olhos. O avô pegou-o pela mão e o levou, devagar, até a sua sala de estudos. Era uma sala ampla, como qualquer sala naquela casa. No meio dela havia a escrivaninha, que na realidade era uma mesa. Havia muitos livros sobre aquela mesa, livros abertos, empilhados, folhas, rascunhos, anotações. As paredes do local, exceto a parede que continha a porta, eram cobertas por estantes enormes, todas cheias de livros. Embora naquele tempo o livro virtual fosse uma realidade há muito concreta, os livros comuns eram apreciados também, alguns virando artigos de colecionador. Alon tinha dinheiro bastante para encher sua casa deles. Levou Seol até a sua cadeira e lá o sentou, ligou a pequena luminária que ele tinha ali e suspirando profundamente, tomou o fôlego para começar.
........- Sabe, meu neto, a religião é uma coisa interessante. Apesar de cada religião ser única, a religião em si é diversificada, você está entendendo? Alguns têm visões diferentes acerca de mesmos fatos e geralmente isso causa cisões naquela fé. Isso gera também novas religiões, ou novas vertentes, o que não quer dizer que uma está certa e outra errada, na realidade são pontos de vista variados acerca de um mesmo assunto, apenas isso. O que o rabino ensina para você, o que seu pai e sua mãe lhe dizem não é nada mais um ponto de vista diferente da coisa que eu vou lhe dizer agora. Você está entendendo?
........Sim estava. Na hora que seu avô começou a falar sobre religião o seu sono passou. Desde aquela idade ele já tinha uma inclinação a fé. Gostava de saber sobre aquilo, lhe era prazeroso. E saber que havia novas visões sobre a mesma coisa parecia apenas empolgá-lo. Ele mesmo, por si só, não aceitava ter de ver as coisas como o rabino via. Ele queria ver por si mesmo, pensar por si mesmo. E parecia que agora uma nova porta se abria para ele. Ele acenou com a cabeça em silêncio, enquanto olhava, sem mexer em nada, as anotações de seu avô.
........- Pois bem... Eu vou lhe falar sobre a Cabala. Esse é um nome novo para o Judaísmo.
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Papillon no Eve
post Jan 24 2010, 06:28 PM
Post #2


Matador de Uvas
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EU LI






E Madonna aprova esta fic e_e


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Shin que fez! º3º





|| O novo sucesso popular Brasileiro ||
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Golem no Seol
post Jan 25 2010, 10:40 AM
Post #3


Barraqueiro
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olha tenho uma leitora evil.png
agora não sei se a madonna aprovar é um elogio ou um xingamento, mas de boa 8D hauae
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Zeno
post Jan 25 2010, 09:47 PM
Post #4


Monguinho
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Cacique!!! gostei do primeiro cap. vc abordou bem a parada de religião , ficou legal!


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Golem no Seol
post Jan 26 2010, 07:41 AM
Post #5


Barraqueiro
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nossa *-* tenho dois leitores xD
vlws zeno o/
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